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04/09/2013 voltar

Medicamentos na Odontologia

Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2013/08/28/medicamentos-na-odontologia-2/
Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2013/08/28/medicamentos-na-odontologia-2/
A Lei 5.081 de 24/08/1966, que regula o exercício da Odontologia, determina no art. 6, item II: “Compete ao cirurgião-dentista prescrever e aplicar especialidades farmacêuticas de uso interno e externo, indicadas em Odontologia”. No item VIII, acrescenta: “compete ao cirurgião-dentista prescrever e aplicar medicação de urgência no caso de acidentes graves que comprometam a vida e a saúde do paciente”. Porém, a categoria vem percebendo a movimentação das entidades, principalmente do Conselho Federal de Odontologia (CFO), para impedir a Portaria SES Nº 111 de 27/06/2012 Estadual (Distrito Federal), que limita a prescrição de cirurgiões-dentistas.

Com tantos debates ocorrendo devido à prescrição de medicamentos pelos profissionais de Odontologia, pode restar a dúvida: o que é permitido prescrever e quais tratamentos medicamentosos os cirurgiões-dentistas podem aplicar nos pacientes?

O coordenador dos cursos de Implantodontia e Cirurgia Oral da Certo Odontologia, doutor em Implantodontia, Renato Aló da Fontoura – autor do livro “Terapêutica e Protocolos Medicamentosos em Odontologia”, lançado em 2013 pela editora Napoleão -, frisa: “Atualmente é permitido ao dentista prescrever todos os medicamentos que apresentem indicação na clínica odontológica. Não existe nenhum medicamento de interesse da Odontologia que o dentista não possa prescrever, mas para alguns medicamentos, como ansiolíticos, torna-se necessário o preenchimento da notificação de receita, geralmente de cor azul”.

Sobre o CFO e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliarem o debate sobre o uso racional de medicamentos, principalmente nos últimos meses, Fontoura diz que são ações positivas à categoria. “É muito bom perceber que essas entidades não estão paradas. A simples mudança na forma de prescrever antibióticos, de uma simples receita comum, para uma receita de controle especial, já levou a uma grande diminuição na prescrição de antibió-ticos. O ideal seria que outros medicamentos de uso rotineiro em Odontologia passassem a ter sua prescrição e venda monitoradas mais de perto por essas entidades e órgãos fiscalizadores”, acredita.

Com a ideia de haver uma política de uso racional de medicamentos e um acompanhamento adequado pelas entidades responsáveis, o Dr. Renato diz que “a Odontologia tem uma característica bem distinta em relação à maioria das especialidades médicas, pois, enquanto na medicina os antibióticos, geralmente, representam a melhor forma de tratar uma infecção, na Odontologia, a boa e velha sequência de remover a causa, drenar e desbridar, deve ser usada sempre, ao invés da antibioticoterapia isolada”. Ele comenta que o cirurgião-dentista deve ter em mente que o uso de medicamentos tem como objetivo apenas dar suporte à terapia cirúrgica ou endodôntica. “Com essas atitudes, a Odontologia migrará de uma situação atual de uso indiscriminado de medicamentos para uma situação de uso racional de medicamentos”, assegura.

Além das ações do CFO e da Anvisa, o Ministério da Saúde criou em abril deste ano o Programa Nacional de Segurança do Paciente, que também incide sobre a Odontologia. “Esse programa provavelmente, diminuirá muito o índice de eventos adversos que ocorrem na saúde do Brasil, incluindo a Odontologia. Conforme descrito pelo MS, o índice de ocorrência desses eventos é de 7,6%, sendo cerca de 2/3 deles facilmente evitáveis. O Brasil é líder nessa ocorrência, e isso está longe de ser um motivo de orgulho para nossos profissionais”, lembra. A obrigatoriedade da notificação dos eventos adversos, para ele, irá revelar as situações mais comuns e, assim, será fácil de evitá-las. “Todos os profissionais de saúde, inclusive os dentistas, deverão perceber mudanças significativas nessas ocorrências”, prevê Fontoura.

Apesar de ser favorável ao uso racional de medicamentos pelos cirurgiões-dentistas e das ações das entidades da categoria, Dr. Renato diz que o Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos (CPURM) deve ter voz ativa do CFO para evitar limitações que contradizem a Lei 5.081 de 24/08/1966. “É inaceitável que ocorra qualquer mudança que venha limitar a atuação do cirurgião-dentista. Em junho passado, o CFO participou da 22ª Reunião do Comitê e deixou clara a importância de se respeitar a Lei 5.081, que regula o exercício da Odontologia. O surgimento desse comitê e a busca da racionalização dos usos de medicamentos é uma atitude muito bem-vinda, mas a mudança e a limitação na utilização de alguns fármacos pelo cirurgião-dentista devem ser repudiadas pelos conselhos de Odontologia”, alerta.

Práticas medicamentosas
Com tantas discussões acerca do uso racional de medicamentos, e sem fontes oficiais que especifiquem quais medicamentos podem ser usados e como devem ser praticados no consultório e nas clínicas odontológicas, é preciso que o cirurgião-dentista se informe e tenha precauções ao medicar o paciente na consulta e ao prescrever medicamentos. Principalmente nos casos de pacientes especiais e em emergências.

Os medicamentos geralmente mais utilizados na Odontologia, segundo Fontoura, “são os analgésicos, anti-inflamatórios (principalmente os não-esteroidais) e os antibióticos” – apesar de não haver dados estatísticos no Brasil que comprovem. “Os anti-inflamatórios e os antibióticos, inclusive, são muitas vezes utilizados sem que exista uma indicação clara”, acrescenta.

Apesar da falta de indicação precisa sobre o uso de antibióticos, ele afirma que todos os antibióticos que podem ajudar no tratamento das infecções odontogênicas podem ser prescritos pelo cirurgiãodentista. “Apesar de existirem antibióticos novos, com características bem específicas, os antibióticos mais tradicionais, geralmente, apresentam grande efetividade diante das infecções odontogênicas. Em se tratando de drogas de administração oral, a amoxicilina, muitas vezes em associação com o clavulanato de potássio, é a droga de primeira escolha. Quando se fala de infecções periodontais, o metronidazol também apresenta grandes indicações. A azitromicina e a clindamicina também são duas drogas indicadas, principalmente nos pacientes com história de alergia às penicilinas”, exemplifica.

Porém, com o uso indiscriminado de antibióticos, pode haver reações não desejadas – como a maior resistência bacteriana e maior possibilidade de surgimento de reações alérgicas às drogas. “Isso é comprovado, e muitos profissionais utilizam antibióticos sem necessidade ou utilizam por mais tempo que necessário. Restringindo a utilização aos casos em que existe real necessidade e restringindo o tempo total de uso, são as duas melhores condutas para o cirurgião-dentista ajudar a diminuir as complicações relacionadas ao uso indiscriminado de antibióticos”, explica o Dr. Renato.

Um ponto que mais preocupa, segundo ele, são as situações de emergência médica no consultório do cirurgião-dentista: “Com raríssimas exceções, nossas universidades não apresentam uma formação sólida no diagnóstico, prevenção e tratamento das emergências médicas. Cabe ao profissional perceber essa necessidade e buscar cursos, livros e artigos sobre o assunto e procurar se tornar apto para resolver as emergências médicas mais comuns em nossos consultórios”.

Fontoura lembra que existem diversas situações de emergências médicas, e o profissional deveria possuir em seu consultório medicamentos específicos para isso. “Dentre essas situações destaco a síncope vasovagal, a hipoglicemia, a dor torácica, a hipertensão, as reações alérgicas, a crise asmática e a crise convulsiva. Apesar disso, vale ressaltar que apenas ter acesso às medicações, sem o conhecimento das doenças e emergências relacionadas, pode ser bastante perigoso”.

Com o avanço tecnológico no geral e na própria área da saúde, há mais opções de tratamentos e medicamentos. Porém, deve ficar atento que o medicamento não é apenas um modismo, enquanto os medicamentos mais antigos ainda são eficientes. “É preocupante também o surgimento cada vez maior de drogas ditas ‘modernas’ e que começam a ser usadas pelos médicos e dentistas como um modismo, mesmo que as drogas antigas continuem tendo ação eficiente. Prescrever medicamentos novos, melhores e menos nocivos deve ser uma constante, mas prescrevê-los, simplesmente por serem novos, é um grande erro”, diz.

As terapias alternativas e suplementares na Odontologia ainda são temas relativamente novos ou mesmo desconhecidos para os cirurgiões-dentistas, mas podem, sim, ser uma opção. “Tenho visto trabalhos maravilhosos sobre terapias alternativas em Odontologia, e em minha experiência clínica, sempre cito a analgesia inalatória com o óxido nitroso, como uma técnica de sedação relativamente nova, segura e muito eficaz”, sugere.

Pacientes especiais
Ao ser importante o uso racional de medicamentos em pacientes saudáveis e adultos, é ainda mais para os pacientes chamados “especiais” – aqueles que têm doença crônica, idosos, crianças, grávidas, entre outros, com necessidades especiais. Quando se fala de prescrição em crianças, Fontoura indica três grandes preocupações: “A primeira diz respeito à dose utilizada, pois quase todos os medicamentos têm a sua dose determinada pelo peso do paciente. A segunda preocupação é lembrar sempre que uma criança não é um adulto que pesa pouco, ou seja, não basta simplesmente diminuir a dose, pois precisamos entender que alguns medicamentos podem ser bastante tóxicos em crianças. A terceira preocupação é uma continuação da segunda, pois é a cautela que devemos ter especificamente com o efeito hepatotóxico de diversos medicamentos. Medicamentos de uso rotineiro para adultos podem levar a grandes problemas hepáticos em crianças”.

Em relação aos idosos, um dos maiores problemas está relacionado ao nível tóxico. “Muitos pacientes idosos apresentam limitação nas funções hepática e renal, e a grande maioria dos medicamentos prescritos em Odontologia apresenta metabolização hepática e excreção renal. Por isso, quando estamos diante de um paciente idoso, a preocupação com o medicamento prescrito, sua dose e tempo total de utilização é de vital importância”, lembra.

No caso dos pacientes diabéticos, o que deve ter atenção especial do cirurgião-dentista são as complicações crônicas que surgem a partir da elevada glicemia. “O paciente diabético não controlado, geralmente, desenvolve graves problemas vasculares, que acarretam problemas cardíacos, renais, hepáticos, entre outros. O cirurgião-dentista deve sempre lançar mão de exames complementares e solicitar parecer médico quando achar necessário, visando diag-nosticar o real estado sistêmico do paciente diabético”, recomenda.

A prescrição medicamentosa no tratamento odontológico de grávidas e lactantes também pode ser diferente da usual. “Essa é uma dúvida comum entre os profissionais e de fácil resolução, pois diversos medicamentos apresentam restrições em relação ao uso em gestantes e lactantes. Em todas as bulas ou até mesmo nos diversos dicionários de especialidades farmacêuticas existentes, é fácil para o profissional encontrar quais drogas devem ser evitadas”, diz o Dr. Renato. Porém, ele ressalta que, “apesar das restrições, existem diversos medicamentos que podem ser usados nesses pacientes, sem problemas”.

Além dos pacientes citados, ele também lembra que merecem atenção àqueles que sofrem de doenças hepáticas, que influenciam o metabolismo dos principais fármacos de uso odontológico. “Os pacientes com problemas neurológicos, que fazem uso rotineiro de drogas de ação central, também merecem ter suas prescrições avaliadas com bastante cautela”, acrescenta.

Outro ponto importante ao tratar pacientes especiais na Odontologia é o diálogo que cirurgião-dentista deve estabelecer com o médico, para constituir um atendimento integrado e que respeite o tratamento médico e odontológico adequado para cada caso.

“A Odontologia chegou a um momento onde o atendimento especializado se tornou quase essencial. Não é impossível, mas é improvável, que um único profissional consiga executar, com perfeição, as diversas especialidades da Odontologia. Assim como a Odontopediatria e Odontogeriatria, que apresentam características bem particulares, o profissional que atende pacientes especiais precisa estar totalmente focado nesse público-alvo. Por isso, muitos desses pacientes fazem uso rotineiro de medicamentos que podem interferir na prática odontológica. Por outro lado, alguns medicamentos prescritos pelo dentista, podem influenciar a ação, potencializando ou inibindo, de alguns medicamentos essenciais para o cotidiano desse paciente. Por isso tudo, é quase mandatório que o dentista mantenha um contato direto com o médico responsável pelo tratamento desse paciente e que solicite a esse profissional, por escrito, uma liberação para o tratamento dentário e informações sobre quais medicamentos devem ser evitados. Além disso, cabe ao cirurgião-dentista se informar sobre possíveis efeitos orais indesejados dos medicamentos de uso contínuo do paciente”, finaliza.

Fonte: Odontomagazine, escrita por Renato Aló da Fontoura