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08/01/2014 voltar

Nutrição e saúde bucal

Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2013/12/17/nutricao-e-saude-bucal/
Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2013/12/17/nutricao-e-saude-bucal/
A relação entre o que se come com a saúde bucal é óbvia para os cirurgiões-dentistas, no aspecto de a alimentação poder alterar os dentes e a mastigação. Porém, ainda não é determinado até que ponto alguns alimentos são prejudiciais – e outros benéficos -, e como o cirurgião-dentista deve agir ao constatar uma erosão dentária, cárie e outros problemas que podem estar ligados à alimentação. Será que o profissional deve partir para a avaliação nutricional do paciente e saber quais alimentos indicar? Ou deve haver uma parceria com o nutricionista do paciente?

Na atualidade, sabe-se que a alimentação é, em geral, mais industrializada – até por facilitar o dia a dia agitado nos centros urbanos. Com isso, também pode conter menos minerais, vitaminas que favorecem a dentição, além de possuir outros fatores que podem prejudicar a saúde bucal. “A dieta produz um efeito local na integridade dentária e na microbiota oral por meio da frequência de consumo de alimentos, que determina o número de oportunidades para a produção de ácido e redução do pH salivar”, observa a nutricionista Erika Christiane Toassa, sócia da Realize Odontologia e Nutrição Integradas.

A nutricionista lembra que, hoje, o hábito alimentar do brasileiro mudou de forma negativa, de magnitude e abrangência nacional, conforme foi constatado pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF): “Houve uma redução no consumo de frutas, legumes, verduras e de feijão, e aumentou o consumo de alimentos e bebidas com alto teor de açúcar, gorduras e sal. Padrão alimentar este que favorece a formação da cárie dentária, representada, principalmente, por alimentos com alto teor de açúcar e das bebidas açucaradas; e de alimentos com alta adesão, com maior acúmulo de restos sobre os dentes, levando a maior risco de cárie”.

Para determinar quais alimentos podem ou não causar cáries, além de mostrar quais podem auxiliar na prevenção ou controle da deterioração do dente, o cirurgião-dentista Érico Castaldin Fraga Moreira, também sócio da Realize Odontologia e Nutrição Integradas, doutor em Ciências Odontológicas pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP), separa os alimentos da atual dieta brasileira em três categorias: positivos (anti-cariogênicos), neutros (cariostáticos) ou negativos (cariogênicos).

“Os alimentos cariogênicos contêm carboidratos fermentáveis e são capazes de reduzir o pH salivar para 5,5 ou menos e estimular o processo de cárie. Destaca-se neste grupo: os açúcares adicionados, doces, grãos e amidos presentes em salgadinhos, pães, bebidas de frutas, refrigerantes, bebidas açucaradas, doces em geral e em algumas frutas”, explica o Dr. Érico.

Já os alimentos considerados cariostáticos, não são fermentáveis pelas bactérias, são eles: “Principalmente os alimentos fontes de proteínas, seja de origem animal ou vegetal, como as carnes em geral, ovos, leguminosas e oleaginosas, ou também os ricos em fibras alimentares, representados, principalmente, pelo grupo dos legumes e verduras”.

“Os alimentos anticariogênicos são aqueles que impedem a placa de reconhecer um alimento acidogênico, quando ele é consumido primeiro. Além de não ser fermentável, apresentariam ação antibacteriana. Alguns adoçantes, como o xilitol, bem como os queijos de maior cura também ajudam na elevação do pH, colaborando para a não progressão da cárie. A goma de mascar sem açúcar também pode reduzir o possível desenvolvimento da cárie, mas, por outro mecanismo de ação, que é o aumento do fluxo salivar”, afirma o dentista.

Ainda de acordo com o dentista, a denominada “autolimpeza dos dentes” não existe do ponto de vista periodontal, mas os alimentos fibrosos (dentro da categoria de cariostáticos) podem ser acrescentados à dieta do paciente para substituir alimentos de alta adesão aos dentes. “As fibras não apresentam uma alta adesão, sendo menos cariogênicas e menos ricas em carboidratos fermentáveis”, indica.

Com a redução no consumo de alimentos fibrosos, como as frutas, legumes e verduras, e o avanço no consumo de alimentos industrializados, também há menor esforço de mastigação. “Com isso, há diminuição da força mastigatória, podendo levar à perda dentária em idosos ou ao comprometimento da musculatura orofacial em lactentes e crianças. Além disso, a mastigação, que favorece a secreção da saliva, cuja função é tamponante, está cada vez mais rápida e deficiente, seja pela perda dentária, mas, principalmente, pela correria diária”, afirma ela.

A ingestão de alimentos ácidos tem se tornado cada vez mais frequentes, devido aos alimentos industrializados, como os refrigerantes, que podem causar erosão dentinária. O Dr. Érico salienta: “Seu efeito guarda relação com o ácido bacteriano, entretanto, aparece nas superfícies lisas linguais dos dentes ou vestibulares dos anteriores. A redução do pH leva a uma desmineralização dessas superfícies, que, se acrescidos de hábitos parafuncionais, como o ranger de dentes ou a escovação inadequada, podem acarretar a perdas significativas da estrutura dentária”. Ele recomenda a orientação do paciente quanto à substituição dos alimentos ou, caso esta não seja possível, o “uso de manobras que reduzam o dano, como o bochecho para a neutralização mais breve possível do pH ou a remoção do hábito parafuncional”.

A afta não apresenta, ainda, uma causa definida, segundo o Dr. Érico, entretanto, “existe a constatação de que, para muitos pacientes, a ingestão de alimentos ácidos, como frutas cítricas, e condimentos, como pimentas e temperos, pode estimular o surgimento das aftas”. Portanto, também está relacionada à alimentação.

A halitose, para o dentista, continua sendo a principal causa da doença periodontal, mas pode ter relação ao baixo consumo de água. “Isso leva à redução da salivação e a formação de saliva mais serosa, o que minimiza o efeito de autolimpeza da boca e o acúmulo de restos alimentares e de células mortas da mucosa”, comenta.

Outro problema bucal relacionado ao baixo consumo de água é a xerostomia, sintoma que, na maioria das vezes, deve-se à diminuição ou falta da saliva. “O consumo de água reflete no volume salivar e, indiretamente, longos períodos de jejum também levam a tal redução. Os alimentos de consistência pastosa ou amolecida também estimulam pouco a salivação, pois não demandam tanta mastigação”. Ou seja, um item primordial na alimentação, que irá favorecer a saúde bucal, é a água.

Já a nutricionista, conta a importância do consumo de alimentos ricos em minerais e vitaminas, que auxiliam na saúde bucal: “É preciso consumir cálcio, fósforo e vitamina D, em todas as fases da vida, mas, principalmente, na infância e adolescência, períodos em que ocorre a formação dos dentes e o pico de crescimento e maturação óssea. Outros nutrientes, como a vitamina C, o zinco e o folato são importantes para a manutenção da integridade da mucosa oral”.

Casos especiais
Nas crianças, especialmente, a redução do uso da musculatura mastigatória, devido aos alimentos industrializados, pode levar ao desenvolvimento incorreto dos ossos maxilares, com possíveis distúrbios oclusais e formação de problemas na mordida – quem afirma é a nutricionista: “E esses mesmos alimentos, normalmente, apresentam alta concentração de carboidratos fermentáveis e de adesão à superfície dentária. Além disso, a alimentação cariogênica – por exemplo, os doces ou as bebidas açucaradas – é ofertada muito cedo às crianças, às vezes já na mamadeira durante o dia e, principalmente, antes de dormir, hora na qual a redução no fluxo salivar e o extenso período sem higienização são severamente danosos ao esmalte dos dentes. Dando início à chamada ‘cárie de mamadeira’ ou cárie de início da infância”.

No caso dos idosos, é importante que eles “mantenham uma dieta rica em todos os grupos alimentares, e com diversas formas de preparação”. A nutricionista diz que isso é importante, para evitar problemas sistêmicos. “E, mais especificamente, a manutenção de várias técnicas de preparação vai evitar a presença de alimentos pastosos, que são mais aderentes e de maior risco de cárie, mas, principalmente, vai propiciar a manutenção do tônus e potência muscular”.

Para as gestantes, as recomendações são as mesmas dadas à população em geral, ou seja, adoção de hábitos saudáveis e de uma alimentação equilibrada. “Embora a recomendação de algumas vitaminas e minerais seja maior em função do estágio fisiológico, como a vitamina C, o zinco e o folato. O acompanhamento nutricional deve ser mais intenso nesta fase da vida”, aconselha.

Odontologia e Nutrição
Para os sócios da Realize Odontologia e Nutrição Integradas, com o trabalho em conjunto do dentista e do nutricionista é mais fácil de obter êxito no tratamento dentário e nutricional. “Um paciente que será submetido à intervenção cirúrgica na cavidade oral deve apresentar uma condição de saúde que pode ser melhorada por meio de alimentação, com grupos alimentares que propiciem uma condição melhor no pré-operatório e um processo de recuperação e cicatrização mais eficientes”, garante o Dr. Érico.

No atendimento às crianças, o dentista tem a opção da ferramenta de diagnóstico “Diário Alimentar”. “Após a análise deste, identificar o consumo de alimentos que propiciem os problemas dentários e, então, orientar o consumo de alimentos não cariogênicos e a visita a um nutricionista. Cabe ao cirurgião-dentista, à adequação dos hábitos de higiene, a orientação das corretas técnicas de higiene e manobras de fortalecimento e proteção do esmalte, como o flúor tópico ou o uso de selantes”, afirma.

O Dr. Érico finaliza: “Todo cirurgião-dentista deveria ser capaz de reconhecer alterações na dieta de um paciente, passíveis de afetar a condição de saúde e a integridade de tecidos duros e moles da boca, além de passar orientações básicas de adequação da dieta e encaminhá-lo ao profissional especialista na área, o nutricionista”.

A nutricionista indica o Guia Alimentar Para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, disponível em http://nutricao.saude.gov.br/guia_conheca.php. “Esse guia é um instrumento que pode apoiar o profissional em suas orientações”, conclui Erika.

Fonte: Odontomagazine, escrita por Viviam Santos