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22/01/2014 voltar

O uso clínico de fluoretos em adultos

Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2014/01/16/o-uso-clinico-de-fluoretos-em-adultos/
Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2014/01/16/o-uso-clinico-de-fluoretos-em-adultos/
Em relação à cárie dentária, seu declínio observado em muitos países, foi resultado de uma série de medidas de saúde pública, entre as quais, o uso dos fluoretos, melhora das práticas de cuidado e ações de educação em saúde.

A partir da constatação da queda nos níveis de cárie dentária, muito tem sido discutido quanto aos fatores associados a esse fenômeno, dentre eles, os fatores sociais e de comportamento. A possibilidade de conhecer fatores de risco para a cárie dentária permite adequar os cuidados de saúde bucal e reorientar estratégias e investimentos em prevenção.

O uso de flúor é uma estratégia fundamental no controle da cárie dentária. A presença constante desse elemento químico na cavidade bucal exerce efeitos preventivos por atuar na remineralização do esmalte dentário. O flúor, quando utilizado topicamente, favorece a formação do fluoreto de cálcio (CaF2) na superfície do esmalte, que atua como depósito de flúor e também apresenta atividade antimicrobiana, além de atuar quimicamente, dificultando a formação de substâncias ácidas e da placa bacteriana. Até meados do século passado, acreditava-se que para o benefício máximo do fluoreto, este deveria ser incorporado à estrutura do esmalte dentário durante o seu desenvolvimento, no entanto, nos últimos anos, pesquisadores discutem o mecanismo cariostático dos fluoretos e indicam que seu efeito predominante para o controle da lesão seria tópico, por meio de uma atuação nos processos de des e remineralização que acontecem entre à superfície dentária e os fluidos bucais, sendo assim, a atuação do dentista se torna ainda mais importante, pois a educação em saúde e a aplicação de flúor tópico em adultos são fundamentais para o combate à cárie dentária.

Existem diversos compostos fluoretados utilizados em veículos de aplicação tópica, os dois principais são o fluoreto de sódio (NaF) e o monofluorfosfato (MFP). O fluoreto de sódio é o composto mais utilizado em dentifrícios, soluções para bochechos, géis e verniz. O monofluorfosfato também é utilizado em dentifrícios e géis, e possui a vantagem de produzir formulações com menor custo, por combinar facilmente com abrasivos calcários. Na clínica odontológica, o uso de fluoretos inclui pastas profiláticas, géis, espumas, verniz e materiais odontológicos.

Existem diversas pastas profiláticas contendo fluoretos, sendo o fluoreto de sódio o composto mais utilizado. A profilaxia é realizada para prevenção de doenças bucais e, previamente, a procedimentos odontológicos que requerem ausência de placa bacteriana. Quanto à necessidade de profilaxia prévia para aplicação de fluoretos, vários pesquisadores indicam que a presença de placa sobre o esmalte não é uma barreira para a incorporação do fluoreto, porém, o procedimento é altamente recomendável para a motivação do paciente na manutenção da sua saúde bucal e, principalmente, para prevenção da doença periodontal.

A técnica de aplicação tópica de flúor por meio do gel fluoretado é a mais utilizada, por apresentar facilidade de aplicação e baixo custo. Os compostos mais utilizados são o fluoreto de sódio e o flúor fostado acidulado (FFA), este último, devido à acidez, tem maior interação com o esmalte dentário. As espumas (musses) fluoretadas são utilizadas por meio da mesma técnica, porém, utiliza-se menor quantidade de material, o que torna a aplicação mais segura. Recomenda-se a aplicação de géis fluoretados baseada na avaliação clínica de cada paciente, sendo a média de aplicações de duas a três vezes ao ano. A aplicação é realizada por meio de moldeiras ou pincéis, sendo as espumas aplicadas somente com moldeiras. Pesquisadores ainda discutem o tempo de aplicação do gel fluoretado. Sabe-se que, a maior incorporação de flúor é obtida com a aplicação em quatro minutos, porém, encontra-se a recomendação de aplicação em um minuto, o que pode ser uma vantagem quando pensamos em tempo de trabalho, mas a aplicação em quatro minutos é ainda a recomendação mais indicada para maior benefício do método. Recomenda-se que, após a aplicação, o paciente fique 30 minutos sem enxaguar a boca ou ingerir alimentos e bebidas e, como em toda aplicação tópica de fluoretos, não é recomendável a aplicação em pacientes em jejum, pois esse composto é rapidamente absorvido em caso de ingestão acidental.

Os vernizes fluoretados são indicados para a prevenção da cárie, remineralização de manchas brancas e redução da sensibilidade do dente. O principal composto utilizado é o fluoreto de sódio com alta concentração de flúor. Os vernizes fluoretados foram desenvolvidos com o objetivo de prolongar o tempo de contato entre o fluoreto e a superfície dentária, com períodos de até 12 horas de atuação. A aplicação de verniz fluoretado deve se basear na avaliação clínica de cada paciente, sendo a média de aplicações de duas a três vezes ao ano. Devido à viscosidade do material e sua aderência ao dente, sua aplicação é considerada simples. O umedecimento do verniz com água após a aplicação acelera o endurecimento do material, diminuindo a dose de ingestão, caso ocorra. A aplicação dos vernizes deve ocorrer após a refeição e higiene bucal, pois a escovação retira o material aplicado, e para sua eficiência é necessário que esse permaneça por um longo período, devido a sua gradativa liberação de flúor. Recomenda-se, também, a não ingestão de alimentos duros durante quatro horas após aplicação, para maior benefício do método.

Existem, também, os materiais odontológicos que liberam flúor. O principal produto nessa categoria é o cimento de ionômero de vidro (CIV), devido a sua compatibilidade com o esmalte e a dentina, e por liberar fluoretos, gradativamente, para o ambiente bucal, além da capacidade de recarga de fluoretos. No entanto, o material possui desvantagens, como desgaste e instabilidade de cor. O uso do CIV em restaurações realizadas pela técnica do ART (tratamento restaurador atraumático) é amplamente estudado e mostra-se efetivo também em dentes permanentes e no uso como selante de fóssulas e fissuras. Além dos CIV convencionais, existem os CIV modificados por resina, mais resistentes. Outras aplicações dos CIV são na cimentação de coroas, bandas e braquetes ortodônticos.

Quanto ao uso de soluções para bochecho e cremes dentais, embora de aplicação não clínica, a prescrição e a orientação para utilização devem ser realizadas pelo dentista. O bochecho fluoretado é indicado para prevenção da cárie, principalmente para pacientes que utilizam aparelhos ortodônticos, pacientes que apresentam superfícies radiculares expostas e pacientes com fluxo salivar reduzido. É necessário reforçar que, o paciente deve passar por avaliação clínica para uma eficiente prescrição, que deve indicar a concentração de flúor adequada e o período de utilização.

O creme dental fluoretado é uma das principais formas de prevenção da cárie dentária. A utilização do creme dental com flúor tem sido um determinante importante para diminuir a prevalência de cárie em populações, pois é um veículo de aplicação de flúor diário, cujo efeito combina a desorganização do biofilme dental, com a ação terapêutica do flúor sobre a superfície do esmalte.

O profissional deve avaliar, clinicamente, cada paciente para utilizar a melhor técnica e o produto mais indicado para o benefício máximo na prevenção da cárie. Ainda, como parte da atividade clínica, destaca-se a relevância da atuação dos profissionais na educação em saúde bucal, motivando o uso adequado de produtos fluoretados.

Fonte: Odontomagazine, escrita por Luiz Felipe Scabar