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20/11/2013 voltar

Odontologia do Esporte

Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2013/11/18/odontologia-do-esporte-2/
Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2013/11/18/odontologia-do-esporte-2/
A Odontologia no esporte é um campo ainda pouco explorado no âmbito acadêmico – uma vez que, para obter conhecimentos sobre a especialidade, o profissional deve buscar cursos além da graduação.

A fusão da Associação Brasileira de Odontologia Desportiva (Abrodesp) com a Sociedade Brasileira de Odontologia do Esporte (Sboesp) resultou na Academia Brasileira de Odontologia do Esporte (Abroe), que congrega cirurgiões-dentistas do esporte de todo o Brasil. Pode-se afirmar que, a área é ainda nova no Brasil, entretanto, os grandes times esportivos possuem um departamento odontológico com especialistas em Odontologia Esportiva para direcionar o tratamento na realidade dos atletas.

Esse é o caso do dentista oficial da equipe do S.C. Corinthians Paulista (Academia e CT de MMA), Alexandre Fonseca Barberini, também professor e coordenador de cursos na área de Odontologia Esportiva e Traumatologia do Esporte. Segundo ele, a Odontologia do Esporte possui alguns aspectos próprios no atendimento dos atletas, principalmente no atendimento de esportistas de alto rendimento. “Por definição, a Odontologia do Esporte é a área da Odontologia voltada para o conhecimento, prevenção e tratamento das lesões e doenças do sistema estomatognático na prática esportiva, baseia-se no estudo da interferência do esporte no sistema estomatognático e como esse sistema pode comprometer o desempenho físico e psicológico do esportista”, explica ele.

A saúde bucal do esportista deve ser mantida como a de um paciente normal, ou seja, que não pratica esporte regularmente. “A prevenção é feita com exames pré-participativos odontológicos (Eppo) e, nos casos de traumatismos dentários, com palestras e utilização de protetores de boa qualidade, indicando o melhor para cada modalidade esportiva”, garante o dentista.

Do ponto de vista do clube, o profissional de Odontologia do Esporte é importante, porque, quando a saúde bucal do atleta não vai bem, pode haver queda de rendimento do esportista. “Pode ocorrer, em alguns casos, como nas infecções odontológicas pós-cirúrgicas, periodontais, endodônticas, e pericoronarites. O importante é realizar os exames e diagnosticar o mais rápido possível e resolver qualquer interferência que possa causar um foco infeccioso”, afirma o professor. Ele também lembra que o atleta de alto rendimento, geralmente, está no seu limite de trei-namento: “Engana-se quem pensa que o atleta é saudável, pois em algumas modalidades tem que perder peso, está debilitado, com a imunidade baixa e perde rendimento rapidamente”.

A maioria dos tratamentos no consultório comum, de acordo com o professor Alexandre, pode ser aplicada no departamento odontológico de um clube. “O que difere um tratamento em um atleta de alto rendimento é a velocidade do tratamento, pois os atletas mudam de clube com frequência, viajam muito e não têm tempo de comparecer às consultas. Portanto, o calendário das competições deve ser respeitado”, diz. Procedimentos cirúrgicos que podem afastar o atleta das competições devem ser estudados com toda a equipe médica, argumenta ele, pois “devem ser realizados fora das competições ou quando o atleta estiver lesionado e fora de jogo”.

Outro fator que difere o tratamento bucal de atletas e merece muita atenção é a medicação, para que o doping positivo seja evitado. “Medicamentos que o dentista indica em procedimentos simples podem causar doping positivo ao atleta de alto rendimento, analgésicos, anti-inflamatórios e anestesia com vasoconstrictor devem ser administrados com cautela, pois podem causar doping positivo e suspender o atleta por até dois anos”, alerta Barberini.

Os casos que aparecem no consultório do dentista desportivo também são similares aos do consultório convencional, com algumas exceções: “Os atletas podem apresentar algumas alterações que prejudicam sua saúde e seu desempenho, tais como: a síndrome do respirador bucal, problemas ortodônticos e má oclusão; periapicopatias, má higiene oral, disfunção da articulação temporomandibular e postura, cáries interproximais e oclusais, anomalias radiculares, dentes inclusos e sua posição intraóssea, reabsorções alveolares, bolsas periodontais, raízes residuais e corpos estranhos”, relata. Portanto, cirurgiões-dentistas especializados em di-versas áreas da Odontologia estão, também, inseridos no contexto da Odontologia do Esporte, para tratar tais alterações nos atletas.

As alterações bucais citadas por Barberini são encontradas em todos os esportes, mas cada esporte pode desenvolver determinados problemas bucais. “Temos que tomar cuidado com as particularidades do atendimento em cada modalidade esportiva, pois cada esporte tem suas características próprias. Um exemplo são os atletas de natação que, além do desvio médio facial, nadam mais de oito horas diárias e possuem manchamento dentário amarronzado, chamados ‘cálculos de nadador’”, exemplifica.

A ATM também pode ser resolvida na Odontologia Esportiva. “No caso de patologias da ATM, podemos contar com tecnologia neurofisilógica, que avalia, por meio de aparelhos de alta tecnologia, a melhor posição mandibular, otimizando o rendimento do atleta. Essa tecnologia produz aparelhos e protetores bucais do tipo V (com otimizador esportivo), melhorando a postura e a respiração do atleta”, comenta.

Prevenção em foco
As lesões no esporte são comuns e, com isso, a saúde bucal também pode ser afetada. Para prevenir esses tipos de problemas, os atletas são recomendados a utilizar protetores bucais. Segundo a American Dental Association (ADA), 200 mil traumas são evitados graças ao uso de protetores bucais, e atletas de modalidades de contato tem cerca de 60 vezes mais chance de lesões traumáticas dentárias se não estiverem usando protetores bucais adequados.

Além disso, dados da associação mostram que o protetor bucal adequado pode reduzir entre 30 e 50% das lesões bucais no esporte. “Alguns trabalhos mostram que dentre as lesões orofaciais, os traumhatismos dentários são comuns, atingindo cerca de 39% das injúrias no esporte, e que a cabeça é a região mais atingida em um esporte de luta”, nota Barberini.

Quem mais apresenta traumatismos dentários no esporte, segundo ele, são crianças e adolescentes. “O atleta infanto-juvenil está em uma fase onde acontece a maioria dos casos de traumatismos dentários, então, há a necessidade do uso de protetores bucais nas modalidades de contato”. Alterações como a Síndrome do Respirador Bucal podem ser detectadas precocemente nessa fase. “Há necessidade de um acompanhamento e tratamento multiprofissional e multidisciplinar. A Síndrome do Respirador Bucal detectada no início, nas categorias de base, por exemplo, pode evitar alterações que podem levar a modificações musculares, posturais, queda de resistência aeróbica e reflexos, ocasionando a queda de rendimento”, diz.

Quanto ao mercado para o dentista desportivo, de acordo com ele, existe. “Hoje, a Odontologia do Esporte cresceu muito e há mercado de trabalho para todos”, garante Barberini. “Temos colegas trabalhando em confederações, federações, clubes, academias e eventos esportivos. Profissões, como Cutman (profissional que cuida dos atletas de MMA no octógono) são dentistas, e outros têm empresas que fabricam protetores bucais”, conta o especialista.

Cursos e regulamentações
A Abroe regulamenta as diretrizes, as especializações, as subes-pecialidades e as disciplinas, tais como: Odontologia do Esporte, Clínica Integrada de Odontologia do Esporte, Medicina do Esporte, Psicologia Esportiva, Fisiologia do Exercício, Fisioterapia Esportiva, Nutrição Esportiva, Fonoaudiologia Esportiva, Emergências médicas em Odontologia, Ética e Legislação Odontológica, Bioética, Metodologia do Ensino. “Apesar de não ser reconhecida como especialidade pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), já existem alguns cursos de especialização em Odontologia do Esporte cadastrados no MEC e em universidades federais”, diz Barberini.

Para iniciar nesta especialidade, ele indica: “O dentista que está interessado nessa nova área da Odontologia precisa, inicialmente, participar de cursos que tratam do assunto, pesquisar, filiar-se à Abroe e frequentar grupos nas entidades de classe, como os grupos de estudo, câmaras técnicas e comissões”.

A maior parte dos cursos no Brasil são cursos de pós-graduação, workshops, atualização e especialização. “Na parte acadêmica são poucas as universidades que colocam em suas grades a disciplina de Odontologia do Esporte. Até o traumatismo dentário, por exemplo, é ministrado na Endodontia, Cirurgia Bucomaxilofacial e Odontopediatria. Cursos de pós-graduação na USP (Faculdade de Odontologia), Unifesp, Associação Paulista dos Cirurgiões-Dentistas (APCD), Universidade Positivo, PUC de Minas Gerais e nos clubes, como o Botafogo F.R., são referências nesta área”, sugere.

Para ele, “será uma questão de tempo para que o CFO perceba a importância da Odontologia dentro das entidades esportivas e para a criação de mercados de trabalhos” para os cirurgiõesdentistas que atuam na área esportiva.

Enquanto isso, a Abroe é a entidade que Barberini indica para quem busca se especializar e regulamentar na Odontologia do Esporte. “A Abroe, nos moldes da Academy for Sports Dentistry, é uma entidade sem fins lucrativos que congrega dentistas que trocam experiências com médicos, instrutores, treinadores, técnicos de prótese dentária e educadores interessados em Odontologia do Esporte”, explica.

As atividades da Abroe incluem a formulação de diretrizes, certificação de produtos, além de divulgar informações sobre lesões traumáticas no esporte e investigar o melhor método de prevenção das lesões dentárias.

Deveres do dentista na Odontologia do Esporte
Segundo o professor Alexandre Fonseca Barberini, o dentista do esporte deve:
- Realizar avaliações de saúde bucal pré-contratual, préparticipação e pós-participação, obedecendo sempre o calendário dos atletas.
- Atendimento inicial no local dos eventos, treinos e jogos, principalmente nos casos de acidentes orofaciais.
- Administrar corretamente substâncias e medicamentos, descartando os que podem causar doping ao atleta, podendo também utilizar da metodologia para detecção de doping e estresse pela saliva.
- Trabalhar em equipe multidisciplinar, promovendo campanhas de prevenção de saúde bucal para os atletas, fornecendo aos treinadores, técnicos e dirigentes informações sobre: procedimentos de urgência, uso de acessórios de proteção adequados para cada modalidade esportiva.
- Saber os protocolos de atendimento médico apropriado antes do tratamento dentário.
- Acompanhar treinamentos e jogos.
- Respeitar os direitos desportivos do atleta e sua imagem.
- Saber como o esporte pode ser uma ferramenta para o marketing estratégico na Odontologia.
- Utilizar metodologias, tecnologias, produtos capazes de treinar, ensinar, avaliar, alimentar e recuperar melhor atletas de alto rendimento.
- Aplicar a Odontologia Neurofisiológica (Neuromuscular).



Fonte: Odontomagazine, escrita por Alexandre Fonseca Barberini