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21/11/2012 voltar

Ortopedia e Ortodontia para a dentição decídua

Imagem retirada de Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2012/10/24/ortopedia-e-ortodontia-para-a-denticao-decidua-2/
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Em qualquer momento da vida, os pais devem ser coparticipes e corresponsáveis pelos tratamentos dentários de seus filhos. E nessa relação pais – filhos – dentistas, o dentista tem a obrigação de discutir o diagnóstico e o seu plano de tratamento com seu cliente, e quando tiver idade para isso, com seu paciente, para que ele possa entender e participar das decisões, bem como da evolução no atendimento.

O fato é que a estética facial é importante na sociabilização infantil e do indivíduo e a estética geral impacta na qualidade de vida. Alterações faciais decorrentes da síndrome do respirador bucal podem afetar a saúde geral, o desenvolvimento da criança e sua vida adulta. Portanto, cuidar do desenvolvimento harmônico e simétrico da face, da oclusão e do sorriso configura-se em cuidados básicos para o bem-estar.

Dra. Silvia José Chedid, autora do livro “Ortopedia e Ortodontia para a Dentição Decídua – Atendimento Integral ao Desenvolvimento da Oclusão Infantil” lembrou que vários fatores influenciam o desenvolvimento da face [arquitetura facial]: genéticos, correta aquisição das funções de sucção, respiração, deglutição, fala, posição da língua, mastigação bilateral e vigorosa, dentre outros. Para ela, o acompanhamento profissional dos devidos processos de aquisição das citadas funções e correto posicionamento de língua, podem minimizar, ainda na primeira infância, muitas alterações nos estágios de desenvolvimento das dentições, que são: decíduo, misto e permanente.

Cada estágio apresenta suas próprias características. No caso da dentição decídua, por exemplo, seu acompanhamento pode ajudar na prevenção da instalação de problemas das arcadas e da mordida, que poderão impactar significativamente na adolescência e na vida adulta do paciente.

Os dentes decíduos são fundamentais para o desenvolvimento ósseo das arcadas e estabelecimento da oclusão. O acompanhamento da sequência de erupção dos dentes decíduos até a sua completa dentadura pode contribuir muito para o desenvolvimento harmônico e simétrico da face, das arcadas ósseas, estabelecendo uma implantação adequada dos dentes em suas bases ósseas, o que definirá uma oclusão saudável. “Quando qualquer alteração deste equilíbrio ocorre, em um acompanhamento criterioso é possível redirecionar o crescimento com pequenas intervenções, evitando que desvios do crescimento se estabeleçam em problemas esqueléticos mais difíceis ou complexos de serem tratados”, alertou Dra. Silvia José Chedid.

Desde a amamentação até a completa definição da dentadura decídua, os dentes apresentam uma grande importância para o desenvolvimento da face e das arcadas. Dra. Silvia explicou que, na amamentação a criança deve realizar o vedamento labial, que proporciona o vácuo necessário para a sucção do leite. O esforço da sucção estimula o desenvolvimento de todo o sistema estomatognático. O movimento de ordenha do leite materno propicia estímulo motor muscular deste sistema complexo que envolve a sucção, respiração, deglutição e desenvolvimento ósseo craniofacial. Na erupção dos primeiros dentes anteriores inicia-se o estabelecimento da guia incisal, que deve ser acompanhado pelo profissional para o adequado estabelecimento da guia e do trespasse anterior. Na erupção de molares e caninos é importante que haja uma evolução adequada da textura dos alimentos para o estabelecimento da mastigação mais vigorosa e bilateral. Quando tudo isto ocorre naturalmente, o sistema estomatognático está em plena função.

Com o processo gradual de introdução das diferentes texturas dos alimentos, inicia-se o estímulo mastigatório e bilateral dos músculos da mastigação e da face. Todo este sistema, em pleno funcionamento, estimula o crescimento e o desenvolvimento esquelético facial e das arcadas de forma simétrica.

A amamentação é fundamental para a aquisição da maioria das funções descritas acima pela Dra. Silvia José Chedid. Quando a criança realiza a pega correta do mamilo, consegue o devido vedamento labial. Este vedamento proporciona a possibilidade de ao realizar a sucção promover o vácuo suficiente para a ordenha do leite. Neste complexo movimento, a língua é posicionada de forma a comprimir o mamilo contra o palato e realizar a ordenha. A conformação das arcadas começa a se definir e todo este estímulo nesta fase ajuda no desenvolvimento ósseo maxilar e mandibular, alargando-o.

Para realizar todo este movimento para se alimentar, a criança deve, obrigatoriamente, respirar pelo nariz. Assim, o “exercício” de se alimentar no peito materno proporciona um estímulo motor adequado para incentivar a respiração pelas vias aéreas e o crescimento ósseo das arcadas (preparando o arcabouço ósseo dos rodetes gengivais para a chegada dos dentes). Quando o ar passa corretamente pelas vias aéreas, chega ao pulmão aquecido (devido ao trajeto mais longo) e mais limpo (microfilos destas vias vão filtrando o ar das impurezas). Assim, o ar aquecido e mais limpo previne problemas pulmonares tão comuns em crianças que respiram pela boca. Além disso, a respiração nasal e sucção de ordenha do leite estimulam e exercitam ao correto posicionamento lingual, aquisição das funções de sucção e deglutição.

Portanto, vale lembrar que, a respiração nasal interfere na postura cervical e a respiração bucal altera toda a conformação da arcada maxilar, de equilíbrio postural de posicionamento e tônus labial e lingual, influenciando negativamente no desenvolvimento da oclusão infantil.

Oclusopatias na primeira infância
Por diversos motivos, muitas mães não amamentam com a mesma facilidade e frequência nos dias atuais. Muitos dos alimentos ingeridos pelas crianças apresentam consistência mole. Cidades como São Paulo, muito poluídas, desencadeiam problemas respiratórios infantis com frequência. Assim, dentre outras razões, as oclusopatias infantis vêm aumentando significativamente.

Segundo a Dra. Silvia José Chedid, dados atuais demonstram que cerca de 67% de crianças até cinco anos de idade apresentam oclusopatias, chegando este número em algumas regiões do Brasil (região sul) a quase 72%. “Estes números são alarmantes e demandam ações privadas e públicas”, alertou.

Há muita variabilidade na idade cronológica de erupção do primeiro dente decíduo. Em média, isto ocorre aos seis meses de idade. “Mas se ocorrer mais tarde ou mais cedo e a sequência de erupção for correta, não há nenhuma necessidade de preocupação por parte dos pais ou profissional”, explicou.

Nas oclusopatias é preciso analisar a sequência de erupção, a oclusão e guias canina e incisiva; os movimentos de lateralidade e trabalho para observar se há equilíbrio na mastigação e bilateralidade; observar se a arcada é atrésica e se há espaços entre os dentes decíduos para a futura erupção dos dentes permanentes; radiografias panorâmicas e tele radiografias lateral e frontal. “Apesar de não haver exames radiográficos e de imagens específicos para esta faixa etária, observar radiografias, modelos, fotos e o exame clínico como recursos auxiliares para um bom diagnóstico da oclusopatia”, disse.

“Tratando primariamente uma oclusopatia nos primórdios de sua instalação, podemos, com pequenos e simples procedimentos, evitar que esta se estabeleça em nível de alterações esqueléticas mais difíceis de serem tratadas no futuro”, comentou. No entanto, é muito importante que se realize o diagnóstico correto do problema. A avaliação das arcadas óssea e facial é fundamental para a definição de um problema esquelético ou dentário.

Dessa forma será possível optar pelos diferentes tipos de tratamento. “Muitas vezes problemas dentários não tratados podem se estabelecer em problemas esqueléticos futuros, no entanto, problemas esqueléticos (genéticos ou não) requerem cuidados específicos e terapêuticas de longo prazo”.

Ortodontia funcional x ortopedia funcional
Diferentes técnicas e filosofias de trabalho estão sendo desenvolvidas e podem ser eficazes. “Não é possível para um profissional que se especialize em oclusopatias conhecer somente uma ou outra técnica ou filosofia de trabalho”, orientou a Dra. Silvia José Chedid, também coordenadora do Centro Internacional de Ensino e Pesquisas Avançadas em Saúde – CIEPAS. “Todas as técnicas embasadas cientificamente podem ser úteis ou funcionais, dependendo do caso em que se aplica”.

O diagnóstico é soberano e único. A forma de tratar vai depender de cada profissional, de sua habilidade técnica, da cultura familiar e da característica de cada paciente infantil. No entanto, é fundamental que o diagnóstico seja realizado de forma a efetivamente definir o problema do paciente: se esquelético ou dentário. Segundo a doutora, não é possível tratar oclusopatias na dentadura decídua observando somente dentes ou seu apinhamento. É muito importante que o profissional esteja apto a avaliar todo o complexo processo de crescimento e desenvolvimento em que a criança se encontra.

A ortopedia funcional se aplica de acordo com o diagnóstico do caso. No entanto, Dra. Silvia entende que, durante o estabelecimento da oclusão infantil e o desenvolvimento da dentição decídua (fase de erupção dos dentes decíduos), ela se aplica com mais recursos para o redirecionamento do crescimento. No estabelecimento da dentadura decídua, a ortopedia funcional ou a mecânica são eficazes. Tanto a ortodontia quanto a ortopedia são fundamentais como meios auxiliares no restabelecimento e redirecionamento do crescimento quando este, por alguma razão, está em disfunção.

“Hoje falamos em trabalho transdisciplinar, onde todas estas especialidades, incluindo o otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo, trabalham integradamente com o pediatra, ortodontista e odontopediatra para o correto diagnóstico”, afirmou. Para ela, este trabalho integrado ajuda muito na definição da hierarquia de atuação, definindo qual profissional atua primeiro e quando.

Pesquisas e especializações
Estão sendo realizadas pesquisas sobre a disfunção temporomandibular e dor orofacial em crianças. Devido às mudanças de comportamento da atualidade, muitas crianças passaram a apresentar dor de cabeça, problemas temporomandibulares e dor orofacial. Ainda assim, estes não se configuram problemas frequentes. É importante que o profissional esteja atento aos fatores de risco, como hipermobilidade e oriente quanto a condutas preventivas. Quando há um problema de degeneração articular e DTM/DOF instaladas, este paciente deve ser encaminhado aos especialistas da área.

Há vários cursos de especialização nas diferentes técnicas ortopédicas e ortodônticas. Para esta faixa etária, no entanto, ainda há muita carência de estudos e pesquisas e informação.

Segundo a Dra. Silvia José Chedid, a maioria dos recursos diagnósticos disponíveis para a dentição e dentadura decídua é adaptada da dentição mista e da dentadura permanente.

O dentista que tratar oclusopatias deve ser apto ao manejo infantil. Como o tratamento ortodôntico não se configura em uma urgência odontológica, a adequação e condicionamento do paciente devem ser realizados, bem como o estabelecimento do vínculo entre o profissional e a criança.

“Em geral, esta faixa etária é muito receptiva ao tratamento, o que facilita sua aceitação”. “Enfim, os índices de oclusopatias estão altos e crescendo. As alterações dos hábitos relativos a vida moderna e alterações no equilíbrio natural do desenvolvimento da oclusão infantil são importantes causas destas alterações. A prevenção é o melhor tratamento. Ao procurar ‘iluminar’ as outras especialidades para o olhar atento ao desenvolvimento da oclusão, potencializa as possibilidades de encaminhamento primário e redirecionamento de crescimento dentro da função natural”, concluiu.

Fonte: Odontomagazine, escrita pela Dra. Silvia José Chedid