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02/10/2013 voltar

Estrutura física no consultório

Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2013/09/30/estrutura-fisica-no-consultorio/
Imagem retirada de http://www.odontomagazine.com.br/2013/09/30/estrutura-fisica-no-consultorio/
O planejamento da estrutura física do consultório odontológico é de suma importância. Atualmente, a segurança do paciente e do profissional, a gestão do tempo, o aumento da produtividade e a acessibilidade são fatores diretamente influenciados por um ambiente de trabalho favorável.

A adequação da estrutura física dos consultórios odontológicos vai além de um espaço confortável e bem decorado. Os profissionais devem considerar a funcionalidade do local, prevenindo e minimizando riscos, de forma a contribuir para a qualidade da assistência. As orientações contidas na RDC/Anvisa nº 50, de 21 de fevereiro de 2002 e suas atualizações devem nortear o projeto físico do local.

A intenção deste texto não é descrever toda a norma técnica, mas vale lembrar alguns pontos importantes. Segundo a referência citada, um consultório odontológico individual deve possuir dimensão mínima de 9m². Para consultórios coletivos, a área mínima depende do número e da quantidade de equipamentos utilizados, devendo possuir uma distância mínima livre de 80 cm na cabeceira e de 1 metro nas laterais de cada cadeira odontológica. Entre duas cadeiras, a distância mínima deve ser de 2 metros, para permitir a circulação dos profissionais e minimizar a contaminação por aerossóis. Os materiais para o revestimento de paredes, pisos e tetos devem ser resistentes à lavagem e ao uso de desinfetantes. Devemos priorizar materiais de acabamento que deixem a superfície lisa, livre de ranhuras. A junção entre o rodapé e o piso deve permitir a completa limpeza do canto formado.

Os consultórios devem dispor de sistema de iluminação artificial eficiente, que permita boa visibilidade no local de assistência aos pacientes. Para a segurança de todos, devemos instalar pontos elétricos suficientes para os equipamentos do local, de modo que cada equipamento tenha o seu ponto elétrico, não sendo admitido o uso de um ponto para diversos equipamentos (por meio de extensões e benjamins).

Ainda para a segurança da equipe, é essencial falarmos em ergonomia. O papel da ergonomia em Odontologia é diminuir o estresse físico e cognitivo do profissional, racionalizar o trabalho, contribuir para a produtividade, proporcionar ambiente seguro e agradável tanto para o profissional quanto para o paciente.

Os profissionais que compõem a equipe de saúde bucal são altamente vulneráveis aos riscos ocupacionais. Estudos revelam que, enquanto a prevalência de desconforto e dores musculoesqueléticas atinge 62% da população em geral, em cirurgiões-dentistas seu percentual chega a 93%. Podemos concluir que, as doenças ocupacionais ocorrem com frequência e a aplicação da ergonomia é a melhor maneira de prevenir e eliminar tais riscos.

O posto de trabalho ergonomicamente adequado deve permitir que o profissional trabalhe com a coluna vertebral relativamente ereta e apoiada no encosto do mocho, pés inteiramente apoiados no piso e coxas paralelas ao chão. A cabeça deve estar levemente inclinada para frente e para baixo, de forma a evitar curvatura exagerada do pescoço. Estudos mostram que a distância média recomendada entre os olhos do profissional e a boca do paciente deve ser de 30 a 40 cm. O pedal de acionamento deve estar próximo a um dos pés, de maneira que o pé não tenha que ser direcionado lateralmente durante seu uso.

Não podemos nos esquecer do fluxo interno do consultório, ou seja, o caminho do paciente até a cadeira odontológica, principais pontos de circulação de profissionais, etc. Nesse contexto, a disposição dos equipamentos deve ser bem elaborada, permitindo a livre circulação de pessoas no ambiente e em locais necessários.

Falando em circulação e acesso, não podemos deixar de citar outro fator relevante na elaboração de um projeto para consultório ou clinica odontológico: a acessibilidade.

Acessibilidade é a condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equi-pamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida (ABNT NBR 9050; 2004).

Permitir que uma pessoa com deficiência tenha acesso aos serviços de saúde com respeito e segurança é fundamental. Ao elaborar um projeto é necessário pensar nos móveis, sala de espera, no consultório, banheiros, corredores e espaços estruturados para que os cadeirantes não tenham dificuldades. Neste processo, é importante conhecer as dimensões de uma cadeira de rodas e suas necessidades de giro e rotação, para possibilitar que o cadeirante efetue manobras. Deve possuir também ambientes adequados para crianças, idosos, pessoas com carrinho de bebê, etc.

Assim, é fundamental que os profissionais da área odontológica, antes de elaborar um projeto para consultório ou clínica odontológica, apropriem-se das normas técnicas que orientam a adequação dos ambientes. Um consultório adequado não pode ser apenas bem decorado e com equipamentos modernos, ele deve possuir um projeto arquitetônico que alinhe biossegurança, ergonomia e atenda as necessidades de todos os pacientes, possibilitando que os profissionais promovam saúde de forma segura e humanizada.

Fonte: Odontomagazine, escrita por Danielle Ramos